O clássico entre Atlético Mineiro e Cruzeiro é conhecido como um dos confrontos mais simbólicos e tradicionais do futebol brasileiro, com raízes que remontam a mais de um século. Tudo começou em 1921, quando o Cruzeiro, então chamado de Palestra Itália, triunfou sobre o Atlético, na época denominado Athletico, por 3 a 0, no estádio do Prado.
A história dessas duas potências do futebol mineiro se entrelaça em uma saga repleta de conquistas e rivalidade. O Atlético, fundado em 1908, já havia erguido troféus importantes, como a Taça Bueno Brandão em 1914 e o Campeonato Mineiro de 1915. Por outro lado, o Palestra Itália, posteriormente rebatizado como Cruzeiro, surgiu da união de jogadores de diferentes times, incluindo o próprio Atlético, tornando-se um competidor de peso no cenário esportivo.
O embate entre Atlético e Cruzeiro gradualmente evoluiu ao longo das décadas, especialmente impulsionado pelo Campeonato Mineiro na década de 1930. Enquanto o América predominava no futebol local, a ascensão do Palestra Itália desafiou essa supremacia vigente.
O marco inaugural de confrontos diretos em uma final entre Atlético e Palestra ocorreu em 1931. Após o Atlético triunfar no primeiro embate, a realização do segundo jogo foi obstruída por desentendimentos quanto à arbitragem, sinalizando um capítulo crucial na rivalidade. A abertura do Mineirão em 1965 representou outro ponto de inflexão ao proporcionar um palco grandioso para esses embates.
O Mineirão, apelidado de Gigante da Pampulha, desempenhou um papel fundamental no acirramento da rivalidade entre Atlético e Cruzeiro. Este estádio icônico tornou-se o epicentro dos clássicos regionais, atraindo multidões e ampliando a repercussão dos duelos.
Um dos episódios mais memoráveis ocorreu no primeiro confronto disputado no Mineirão, quando uma decisão controversa do árbitro resultou na interrupção do jogo devido a questões de segurança. Esse incidente contribuiu para intensificar as tensões entre as torcidas e os clubes.
Ao longo dos anos, Atlético e Cruzeiro se envolveram em disputas intensas dentro e fora das quatro linhas. Em 1956, uma controvérsia em torno da elegibilidade de um jogador atleticano levou a uma batalha judicial que perdurou por três anos, resultando em ambos os clubes sendo declarados campeões.
Todas essas vicissitudes serviram apenas para avivar a rivalidade, transformando cada clássico em um evento permeado de paixão e expectativa. Atualmente, essas duas agremiações continuam a duelar pela supremacia no futebol mineiro, escrevendo novos capítulos nessa saga inigualável.